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apenas dúvida e vertigem alguém singular de todos nós pergunta se há saída sem asas ou ao menos alívio ali no mesmo instante em outro tempo etéreo primatas em volta do fogo inventam a palavra uma ponte muito antes de cristo
o homem já sonhava
Escrito por arrudA às 3:27:14 AM
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enquanto isso no trópicos amores platônicos e outros psicotrópicos com gosto de lágrima e efeitos ópticos enquanto isso nos trópicos tipos comuns e outros tipos exóticos em busca de algum aquela cara metade saudade de sentir saudade enquanto isso você pensa que é noite enquanto o sol ainda
arde
Escrito por arrudA às 7:51:31 AM
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nem a febre dos icebergs a inundar o nosso albergue nem o sono leve dos astros nenhum destempero nenhuma intempérie nenhum passo fora de série nem um happy end nem um réquiem
passear com você pelas ruas de um dia
comum
Escrito por arrudA às 1:06:29 PM
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para André Carneiro do estado de sonora ao deserto do arizona corpos celestes e suados
prótons e neutrons amplificados carneiros brincam de nuvens
e as formigas tão
prag mát icas sweet life olhos de satélite inauguram alguma jovem galáxia
do deserto do arizona ao estado
de sonora
Llegamos ahora
Escrito por arrudA às 10:01:14 AM
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tão antigo quanto urgente isso que a gente sente vem de antes da semente antes de Antígona antes de antigamente tão antigo quanto urgente isso que a gente sente vem de antes de Alexandre antes de Alexandria antes da noite achar o dia antes de tudo tão antigo quanto urgente
isso que a gente sente
Escrito por arrudA às 8:23:48 AM
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um canto de proa partida madeira de lei mar além uma dança uma dor à deriva oferenda de sal e saliva uma voz de mulher água viva uma dúzia de rosas
vermelhas ao mar
Escrito por arrudA às 12:58:27 AM
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à parte toda essa apatia à parte em toda parte essa tal de tecnologia à parte esse desgaste natural de ambas as partes nem sempre tão igual à parte um e outro desastre falhas desumanas e outras traquitanas placas tectônicas panes eletrônicas
à parte essa barbárie à parte esse disparate que tanto nos assombra que tanto nos reparte à parte essa blindagem essa redoma à parte essa parte que não soma à parte essa dor de quem parte esse parto meu pai à parte esse aparato do que se trata esse barato flor de fino trato de fato tão real
Escrito por arrudA às 3:31:48 AM
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a sua fome tenha como certo meu prato
predileto
Escrito por arrudA às 1:08:44 AM
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tudo que você quiser
com esse batom russian red nada nos impede nenhuma dor nem um
Dostoiévski
Escrito por arrudA às 3:54:50 AM
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essa água na boca esse estado de graça o que não se diz o que não se disfarça um pouco de tudo que se passa entre uma trégua e outra uma pedra solta uma vidraça essa lacuna de praxe esse perfume
essa cachaça
Escrito por arrudA às 12:26:47 PM
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falamos da temperatura e de um mundo sem previsões
sem mais aquela
falamos de coisas comuns e de um tempo de agora distante de nós
de outras atmosferas
da vida noutros planetas
agulhas palheiros lunetas
e demais indagações
palavras caídas do céu
alfabeto de pedras estranhas
e suas mais diferentes
interpretações
falamos dos derivativos
e outros baratos
baralhos
baracks
& afins
falamos dos mortos dos vivos
enfeites motivos
antigos versos Virgílio
Roma a vingança de Eneida e as notícias confirmam
seguem-se as labaredas
e as mudanças de clima
falamos de uma nova era e quem dera vindoura
deveras falamos de como de quando de onde
tudo começou
desse medo eminente um alarme
e o nosso amor se calou
Escrito por arrudA às 3:23:23 AM
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uma janela aberta manhã
me bate uma saudade
de te ver
sã
e salva dessa cidade
onde mora o outono
nos jornais de domingo
espalhados no chão
onde mora esse homem
que já morreu em mim meu pai meu irmão
uma janela aberta
memória
onde moram os pássaros
antes do amanhecer
Escrito por arrudA às 4:27:15 AM
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isso de ser suscetível
espécie perecível
faísca no fusível
pedaço de carvão
certeza do improvável
escudo descartável
sinal
de civilização
isso de ser suscetível
perene precipício
carne osso e além disso
nenhuma explicação
ciência do impossível
cuidado ser sensível
medo de trovão
teste de equilíbrio
em linhas de algodão
isso de ser suscetível
é a vingança do invisível
parece mesmo incrível
poesia pede pão
Escrito por arrudA às 3:03:32 PM
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o pai do meu avô tinha pernas de barro de intimidades com o chão era de caminhar pela memória dos lugares sem se dar conta ia-se o dia ia-se a lua e outros dias e outras luas e outro filho e assim se ia
de intimidades com o barro e sem brinquedos eletroeletrônicos pra se distrair só estrelas caçula era quem tapava as feridas com terra do quintal e tudo era quintal até então e não doía mas os olhos do velho mareavam de ver que sentir não sentia fazia sal de tanto zêlo vai saber quem andou pisando esse chão muito antes é de caminhar pelas memórias e as noites se inchavam de silêncio
e de imaginação gentil o pai do meu avô contava estórias quieto que nem cachorro cansado de fato o pai do meu avô a certa altura se cansou caçula foi quem tapou a vala
comum como as pernas de barro
Escrito por arrudA às 11:56:32 AM
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a raiva gasta qualquer carcaça economize o tempo espalha a febre passa alguém me disse passou da hora perdeu a graça doce deslize a noite dança a lua acesa não tem marquise a raiva cansa qualquer beleza pra quê reprise a vida inventa a vida e venta não fique triste
Escrito por arrudA às 5:07:46 AM
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