-- arrudA ----[Do lat. ruta, pelo ár. ar-ruTâ.]


 

                                                    

 

 

o escafandro

e a borboleta

são do mesmo

planeta

ela feita

para enfeitar

enfeita

ele de aço

e de ar

tentando escapar

até a última

 

letra

 

 

 



Escrito por arrudA às 3:20:18 AM
[ ]


 

 

sei que a vida carece

de alguma certeza

uma promessa

que seja

uma faísca

uma proeza

sei que a vida carece

de uma palavra sem pressa

de uma fruta na mesa

de alguma leveza

sei que a vida carece

de se espalhar

na correnteza

pra não ficar

sempre na mesma

se utilizar

da sutileza

sei que a vida carece

de uma certa clareza

uma janela quebrada

uma saudade acesa

uma fagulha

que seja

 

sei que a vida merece





Escrito por arrudA às 9:52:49 AM
[ ]


 

para se sentir

              inteiro

o atirador

de facas

atira facas

 

no espelho

 

 



Escrito por arrudA às 9:33:59 AM
[ ]


 

 

 

tudo que tranca

trinca

 

 

 

 

 

 

 



Escrito por arrudA às 4:14:02 AM
[ ]


 

 

tão raros

quanto ridículos

somos em

 

círculos

 

 

 

 

 



Escrito por arrudA às 3:55:44 AM
[ ]


 

não cabe na página

não cabe na tela

não cabe

numa teleobjetiva

a poesia está na pele

 

viva

 

 



Escrito por arrudA às 1:15:17 AM
[ ]


 

meia dúzia de camelos

a um passo do poço

deus na boca do louco

pode parecer pouco

três luas de trégua

qualquer medida

sem régua

uma estrela no teto

o infinito

a meio

metro

 

o perto é bem mais perto

 

 

 



Escrito por arrudA às 11:00:42 AM
[ ]


 

esquece o tempo

que ele não esquece mesmo

da gente

apesar de ser o pai

do esquecimento

esquece

se finge de morto

e vive

 

um pouco

 

 



Escrito por arrudA às 11:44:17 AM
[ ]


 

faz frio e o frio me faz

fugir da sombra

lembrar do azul

e caminhar até

você

 

por acaso

 

 



Escrito por arrudA às 10:35:59 AM
[ ]


 

 

a sua lágrima espessa

desce densa

imperfeita

feito toda lembrança

do que é feita

a sua lágrima

espessa

leite

de rosa quando

se deita

excesso de sal

no canto da boca

a sua lágrima espessa

não me sai

 

da cabeça

 

 



Escrito por arrudA às 12:04:41 PM
[ ]


 

alguém que me acenda

nas horas escuras

alguém que me acuda

alguém que me escute

mesmo calado

alguém lado a lado

alguém que esparrame

flores no meu tatame

alguém que me chame

quando o cameta passar

alguém que me assopre

que me espalhe no ar

alguém com o seu nome

alguém com

a mesma

 

fome

 

 

 



Escrito por arrudA às 3:04:15 AM
[ ]




Escrito por arrudA às 9:54:44 AM
[ ]


 

 

vista a sua pele

coma com seus dentes

abuse das cores

transparentes

fale a sua língua

a lua está tão linda

ouça seus rumores

grite seus poemas

respire pelos poros

se mostre

para seus olhos

solte o freio

acerte em cheio

diga a que veio

 

gosto quando você

se parece com você

 

 

 

 



Escrito por arrudA às 9:38:15 AM
[ ]


 

se eu soubesse como

distrair esse outono

enfeitaria seu sono

de crisântemos

e outros nomes

perfumados

seu eu soubesse como

abrir as janelas

do abandono

pra ver saturno

em seu retorno

da carne ao carbono

se eu soubesse como

deixaria essa dor

 

sem dono

 

 



Escrito por arrudA às 4:07:34 AM
[ ]


 

 

diz que o amor não morde

e mostra os dentes

pinta o apocalipse

de cor-de-rosa

e quase contente

diz que entende

esse the end

de um jeito

diferente

diz amém mas não mente

conta que aprendeu

tudo com o pai

e isso cai tão bem

para uma mulher

essa mulher

diz que o amor

não morde

e ainda

morde

 

a língua

 

 

 



Escrito por arrudA às 3:36:19 AM
[ ]


[ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]
 
Histórico


Outros sites
 ruta graveolens
 Marcelino Freire